Ayache: “PT perdeu a coerência e hoje tem apenas projeto de poder”

Em entrevista ao programa Tribuna Livre, da Capital FM, e ao portal Página Brasil, o presidente da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems), Ricardo Ayache, falou sobre as razões de sua saída do PT (Partido dos Trabalhadores), sobre a criação do Instituto Diálogo, para discutir propostas políticas para Campo Grande e Mato Grosso do Sul, e sobre o que pensa ser necessário para um futuro prefeito de Campo Grande, diante das atuais crises – política e financeira – enfrentadas pelo município, inclusive com paralisações nas áreas de Educação e Saúde, área em que Ayache, como médico, pôde falar com propriedade.

O presidente da Cassems, Ricardo Ayache, durante entrevista ao programa Tribuna Livre, da Capital FM – Foto: Silvio Ferreira

Sobre a saída do PT, Ayache fez referência ao apreço que tem “pelas bases do partido – principalmente nos movimentos dos sindicatos na área de saúde” – que o levaram a ser candidato a senador nas últimas eleições e que, para o ex-governador Zeca do PT, o colocavam como virtual candidato da legenda na disputa pela prefeitura de Campo Grande no ano que vem, mas lamentou que hoje “o PT tenha perdido a sua coerência e esteja dedicado apenas a um projeto de permanência no poder e não de atender às necessidades do povo”. 

O presidente da Cassems considerou que “o destaque que teve no PT não se deveu apenas ao apoio do partido, mas à relevância de sua atuação frente à Cassems, que contou com o apoio dos sindicatos do setor de saúde”, que o teriam credenciado para sua busca por um novo caminho na política, em outro partido. Ayache afirmou que “vários contatos estão sendo feitos com diferentes legendas” e adiantou, sem citar nomes, que “deve fechar com um partido de centro-esquerda, que tenha como prioridade as questões sociais”.

Questionado sobre – em uma eventual pré-candidatura à prefeitura, no partido ao qual vier a se filiar – quais seriam as propostas para tirar a administração municipal de Campo Grande da crise financeira e política que a capital vive, inclusive no setor de saúde – sua área de formação -, que tem enfrentado paralisações de médicos e enfermeiros, Ayache falou de basicamente de austeridade: “Para que se tenha uma boa gestão, é preciso que se tenha antes de mais nada, uma decisão política e um planejamento administrativo, que proporcione as medidas e as decisões necessárias para melhorar o atendimento à população, no que diz respeito ao atendimento em saúde.”

De acordo com Ayache, “são decisões do ponto de vista técnico e de planejamento, relativamente simples de serem tomadas, mas que precisam, sobretudo, de vontade de melhorar o atendimento básico à população. Passa, sobretudo, pela iniciativa de criar estruturas que resolvam a questão de acesso aos exames. Hoje uma pessoa passa por uma consulta, mas não consegue realizar os exames mais simples: laboratórios, ultrassom, raio-X. Basta criar pólos, com centros de diagnóstico e também ampliar o número de leitos hospitalares, que permitam à população a realização de cirurgias eletivas. Nós temos soluções relativamente simples, mas que passam pela vontade de atender à população com qualidade, não apenas em número de consultas. Precisamos quebrar esse paradigma.”

Silvio Ferreira

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