Atletas sul-mato-grossenses conquistam pódio do Sul Americano de kung fu e sonham com mundial

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Edinéia Camargo conquistou medalha de ouro na disputa com argentina. Foto: Arquivo pessoal

Em busca do título mundial de wushu, nome oriental do kung fu, os medalhistas sul-mato-grossenses Edinéia Camargo, de 26 anos, e Jhonatan Prado, 25, retornam a casa depois de conquistarem o pódio no 6º Sul Americano Kung Fu Wushu  realizado entre os dias 11 e 14 de junho em Assunção (PY).

Os lutadores da modalidade sanda – combate a mãos livres – disputaram o título com sete países. Edinéia levou a melhor sobre a Argentina e trouxe o ouro para casa pela terceira vez. Jhonatan, disputou pela segunda vez o campeonato e trouxe o bronze contra o adversário peruano. A vitória foi dura, de acordo com Edinéia, “o wushu não é só trocar porrada é um jogo de xadrez, é muito psicológico e minha adversária foi muito raçuda”.

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Atleta leva Brasil ao primeiro lugar do pódio. Foto: Arquivo pessoal

A campeã da categoria adulto feminino até 52Kg, conta que aos 7 anos de idade já era fã de filmes de luta e incentivada pelos pais teve seu primeiro contato com o esporte. No início praticava a modalidade taolu (luta imaginária) e com o passar dos anos passou ao sanda, “quando ficar velhinha vou para o tai chi chuan“, se diverte. Hoje, a estudante de Educação Física sonha com a possibilidade de se dedicar integralmente aos treinos e aperfeiçoar sua ‘arte da guerra’, como o kung fu é traduzido no chinês, “infelizmente não temos só a vida de atleta, mas é nossa realidade no momento”.

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Jhonatan conta que o fator psicológico foi seu pior inimigo na luta. Foto: Arquivo pessoal

Jhonatan também estuda Educação Física e atualmente serve o exército. Ele começou a treinar com 14 anos, “de criança eu lembro de brincar de lutinha e quando experimentei o wushu não quis saber de nenhuma outra arte marcial”.

Sob o comando do mestre Woescley Bambil, Edinéia e Jhonatan treinam por volta de 4 horas diárias, seis dias na semana, com rotinas de musculação e corrida além do próprio sanda. Em épocas de competição eles passam a treinar o dobro e redobram os cuidados com a alimentação, “o rendimento é melhor quando você está de dieta”, explica Jhonatan.

Patrocínio, a luta mais difícil

A grande batalha dos atletas começa agora, segundo Jhonatan, por conta das dificuldades em arrumar empresas patrocinadoras do esporte, “a gente tem que correr atrás, fazer rifa, almoço, estamos esperando o resultado de editais, mas é sempre um desgaste”. O próximo passo dos campeões será o treino com a seleção brasileira de kung fu a partir de agosto em Campinas. Serão selecionados 8 atletas para representar o país no mundial em novembro na Indonésia.

Atualmente a dupla tem o apoio de nutricionistas, casas de alimentação natural e preparadores físicos, mas precisam arrecadar em torno de 11 mil reais por atleta para chegarem a Indonésia, “a gente acaba perdendo um tempo precioso de treino para organizar eventos e conseguir o dinheiro”, desabafa Edinéia.

Também chamado de boxe chinês, a luta vem se popularizando depois que atletas do MMA começaram a utilizar a técnica em seus combates, “o principal técnico da Honda Russel é mestre de taolu“, comentam.

O movimento é bem forte em outros estados brasileiros, segundo os atletas, que acreditam que o kung fu se tornará um esporte olímpico em breve. Mesmo sem esperança de participarem de uma Olimpíada por conta da idade – lutadores de wushu aposentam aos 35 anos – eles tem certeza que verão muitos de seus colegas e alunos defendendo a bandeira de MS e do Brasil na competição.

Luana Campos

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