Após polêmica, Juiz volta atrás sobre decisão e Acrissul cuidará de gado furtado

Em nova decisão expedida no fim da tarde de ontem (22), o juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal de Campo Grande, revogou decisão anterior que determinava a soltura de 13 integrantes de quadrilha acusada de furto de gado para que eles mesmos cuidassem dos animais,

Acusados de integrar quadrilha de roubo de gado foram soltos para cuidar dos bois que furtaram Foto: Arquivo
Acusados de integrar quadrilha de roubo de gado foram soltos para cuidar dos bois que furtaram Foto: Arquivo

Com a nova decisão do o juiz quem ficará responsável pelo transporte das 350 cabeças de gado para leilão será a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul). O Magistrado justificou o motivo de ter confiado o gado aos acusados. “Foi a única solução encontrada para evitar a perda dos semoventes [animais], que vêm morrendo na fazenda onde estão apascentados, sendo, portanto única medida, embora extrema, que se encontrou”, diz a decisão.

Depois de o caso vir à tona ontem, a Acrissul procurou a Justiça e se colocou à disposição para fazer o transporte do gado até o local onde será feito o leilão dos animais. O valor arrecadado com a venda das cabeças será depositado em juízo e assim que os donos dos animais forem sendo identificados pela Justiça, o valor poderá ser devolvido.

Pelo transporte das 350 cabeças, a Acrissul estima que sejam gastos pelo menos R$ 3 mil. O valor será descontado da venda do gado e repassado à Acrissul.

De acordo com o presidente da associação, Francisco Maia, o gado será vistoriado hoje por zootecnista da Acrissul e pode ser necessário cuidados veterinários e até suplementação na alimentação dos animais, tendo em vista que alguns já morreram de fome.

“A Acrissul não poderia deixar que essa ação da polícia servisse como desestímulo ao produtor. A comercialização será feita por leilão para que o valor de venda e a boa fé da Acrissul não sejam questionados”, completou o Maia.

Em até uma semana, segundo avalia o presidente da associação, todo o gado deve ser transferido e vendido em até uma semana.

Apesar de a Acrissul ficar responsável pelo gado, o juiz manteve parte da decisão que concede liberdade provisória aos 13 acusados. Mas desse vez eles não cuidarão do produto do crime supostamente cometido.

CASO

A quadrilha, composta por 17 membros, foi presa em março deste ano depois de uma megaoperação comandada pelo Garras ((Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros), quando foram apreendidas cerca de 300 cabeças de gado, além de caminhões e outros equipamentos utilizados nos ataques pelos ladrões.

Segundo o delegado do Garras, Fábio Peró, essa quadrilha profissionalizou-se neste tipo de crime e não vai parar de agir no Estado. Para ele, é preciso que os pecuaristas fiquem de alerta e a polícia irá monitorar as ações do bando, o tempo todo.

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