Após Playboy e praia, Mari Paraíba quer se firmar na Seleção

Aos 28 anos, Mari Paraíba pode dizer que tem histórias para contar. No vôlei desde os 10 anos de idade, a jogadora já abandonou as quadras, fez sucesso fora dela por jogar nua, se aventurou na praia e, agora, mais madura vê sua grande chance de se firmar dentro da Seleção Brasileira de vôlei.

O momento parece mesmo ser o ideal. No grupo que está disputando os Jogos Pan-Americanos de 2015, a ponteira começou ficando no banco de reservas, mas teve a primeira grande chance de mostrar seu valor no duelo contra os Estados Unidos, graças à lesão da amiga Jaqueline.

Ponteira tenta se firmar na Seleção de vôlei (Foto: Terra)
Ponteira tenta se firmar na Seleção de vôlei (Foto: Terra)

A jogadora vai aos poucos ganhando fama muito mais por seu desempenho esportivo do que por trabalhos feitos fora das quadras, como aconteceu no passado. Um ano antes de iniciar sua trajetória nas areias, ela abandonou as quadras em 2012, por conta de uma lesão grave no joelho. A contusão a fez tirar uma espécie de ano sabático onde acabou ganhando holofotes ao posar nua e ser capa da revista Playboy.

Em sequência, ela foi se aventurar no vôlei de praia, onde fez duplas com Fernanda Berti e Natasha. Apesar de Mari Paraíba ter ganhado muita experiência de como é jogar individualmente, a modalidade, com o perdão do trocadilho, não era a praia dela.

Tanto que retornou às quadras no começo de 2014. Com mais rodagem, a atleta foi ganhando espaço novamente, até aparecer com destaque jogando pelo Camponesa/Minas e chamar a atenção do técnico José Roberto Guimarães.

A coroação desta longa trajetória veio na última segunda-feira no Exhibition Centre, em Toronto . Justamente em um jogo duríssimo contra os Estados Unidos, que classificaria o Brasil para a semifinal da competição, Mari conseguiu dar conta do recado na vitória por 3 sets a 2. “Soubemos no vestiário, a Jaque falou: ‘prepara que você vai entrar’. Não foi nem o Zé. Pensei: ‘nossa que responsa’. Ela me disse: ‘joga tranquila, é sua chance tenta fazer o que faz melhor'”, disse Mari Paraíba após o jogo.

Ponteira tenta se firmar na Seleção de vôlei (Foto: Terra)
Ponteira tenta se firmar na Seleção de vôlei (Foto: Terra)

“Pensei é minha chance de poder jogar, é muito difícil entrar no lugar da Jaqueline. Eu procurei não pensar tanto em fazer o que ela faz e pensei mais em fazer o que eu sei fazer também, entendeu. Passa milhões de coisas, está um sonho ainda”, completou. A experiência ganha no período em que trocou as quadras pela areia fica tão evidente, que dá para ver claramente características de jogadora de vôlei de praia na atual fase de Mari Paraíba. Em uma das bolas do jogo contra as americanas, ela acertou uma largadinha no fundo típica de quem atuou na areia.

“Quando fiz aquela bola a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: ‘caraca, o vôlei de praia me ajudou’. Ajudou realmente nisso, o bloqueio estava muito pesado e às vezes você tem que passar a bola. Às vezes, a bola não chega da melhor forma possível. O que eu tentei fazer foi isso, o que dava para fazer era aquilo lá. Elas vieram um pouco pra frente então sobra o fundo. Aí eu acertei”.

O técnico José Roberto Guimarães também afirmou que o momento de Mari Paraíba é muito diferente de quando resolveu se aposentar das quadras por um tempo. “A Mari teve momentos importantes, principalmente na composição do time. Ela equilibrou o time no passe e isso foi um ponto altíssimo, porque fez as outras jogarem. Ela realmente entendeu o espírito da coisa, da necessidade dela naquela condição, o que deveria fazer e cumpriu muito bem”, disse.

“Ela melhorou muito depois que foi para a praia. Ela tem uma manualidade depois que foi pro vôlei de quadra, consegue colocar bola em ângulos que não são todas jogadoras que conseguem. Ela sempre passou bem, ela está mais madura, porque ela passou por várias coisas e aprendeu. Ela entra em um jogo desse complicado com naturalidade. O que eu gosto da Mari que mais me chama a atenção é a personalidade que ela tem”, completou o treinador.

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Mesmo tendo ficado muito exposta na época em que posou nua, Mari Paraíba afirma que a repercussão vivida neste momento é muito diferente de todo os holofotes que já teve dentro e fora de quadra. “Aqui você está representando o seu país, você é muito mais vista, você tem a responsabilidade muito maior. Eu nunca vivi isso aqui, jogar contra Estados Unidos e outras equipes grandes é a primeira vez”, afirmou a jogadora, que nesta parte da entrevista parecia uma novata em seu primeiro dia na Seleção Brasileira.

Com o grupo da Seleção Brasileira dividido entre Grand Prix e Jogos Pan-Americanos, Mari Paraíba tem mais duas chances importantes para mostrar ao técnico José Roberto Guimarães que veio para ficar no grupo verde e amarelo.

A semifinal e a final ou decisão de terceiro lugar servirão como mais alguns cartões de visita para a ponteira superar de vez qualquer rótulo dos críticos de que chama muito mais atenção pela beleza física do que pela competência técnica.

TERRA

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