Após crise entre Poderes, Temer pede “respeito” às instituições do país

Em evento realizado nesta quinta-feira (27) no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer (PMDB) cobrou uma mudança na “cultura política do país”, ao pedir que as instituições de poder sejam “preservadas e respeitadas”.

“Nós, mais do que nunca, precisamos mudar a cultura política do país. Nós precisamos ter ciência e consciência de que as instituições hão de ser preservadas e respeitadas. E que nós temos uma harmonia absoluta entre os Poderes do Estado e queremos ampliar esta harmonia para todos os setores sociais”, afirmou o presidente Michel Temer durante a cerimônia de lançamento do Mutirão da Renegociação e Sanção de Leis referentes ao Supersimples e ao Salão-Parceiro. 

A declaração do peemedebista faz referência à crise entre o Legislativo e o Judiciário, cuja deflagração se deu na segunda-feira (24), após a reação do presidente do Senado, Renan Calheiros, à Operação Métis, levada a cabo pela Polícia Federal no dia 21 de outubro e que resultou na prisão de quatro policiais legislativos, incluindo um dos homens de confiança do peemedebista, Pedro Ricardo Carvalho. A operação foi suspensa nesta quinta-feira (27), por determinação do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente do Senado acusou a PF de utilizar “métodos fascistas” na operação, classificou o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, de “chefete de polícia” e ainda chamou o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, que autorizou a operação de “juizeco”. O peemedebista ainda afirmou, na ocasião, que questionará no STF (Supremo Tribunal Federal) o limite entre os três Poderes.

Um dia depois, a presidente do STF, Carmen Lúcia, rebateu Renan, afirmando que Judiciário exige respeito dos demais poderes da República. “Todas as vezes que um juiz é agredido, eu e cada um de nós juízes é agredido”, disse. “Não há a menor necessidade de numa convivência democrática livre e harmônica, haver qualquer tipo de questionamento que não seja nos estreitos limites da constitucionalidade e da legalidade”, completou.

Deflagrada a crise, o presidente Temer afirmou, ainda na terça (25), que pretendia articular um encontro entre os presidentes do Senado, do STF e da Câmara, mas a ministra do STF recusou, alegando “estar com agenda cheia”.

Outra oportunidade para um encontro entre Càrmen Lúcia e Renan Calheiros, que envolveria ainda a presença de Alexandre de Moraes, poderia ocorrer na sexta-feira (28), em encontro onde será discutida a questão da segurança pública. O presidente do Senado, porém, não deve ir à reunião. “Eu terei muita dificuldade de participar de qualquer evento que tenha a presença do ministro da Justiça”, disse.

Nesta quarta-feira (26), no mesmo dia em que manifestantes pediram a saída do peemedebista da presidência do Senado, Renan anunciou um pacote de ações jurídicas em resposta à ação da Polícia Federal. (UOL)

 

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