Advogado de Ronan diz que laudo revela assinaturas falsas em seis cheques com agiotas

Em entrevista exclusiva ao Página Brazil, o advogado, Hugo Melo Farias, que representa Ronan Edson Feitosa de Lima, explicou que registrou junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ/MS) nesta terça-feira (26), ‘incidente de falsidade‘ em que seu cliente não reconhece a autenticidade de assinaturas de seis cheques, que totalizam R$ 79 mil. São quatro cheques em nome dele, sendo um de uma conta no HSBC e três do Bradesco, e outros dois de contas de terceiros no HSBC. A falsidade dos documentos foi atestada por laudo pericial feito pelo IPC (Instituto de Perícias Científicas). Entre os documentos estariam três folhas emitidas pelo banco Bradesco, por uma agência do Centro de Campo Grande, em que Ronan alega que nunca teve conta. O laudo pericial extrajudicial grafotécnico do IPC, segundo a documentação levada ao TJ, foi concluído no dia 25 de maio. Agora, Ronan quer que os cheques sejam submetidos a nova perícia, por ordem da Justiça.

O advogado informou que também “solicitou junto ao banco a documentação relativa à falsidade dos documentos, mas ainda não obteve resposta”, diz. “As assinaturas de várias dos cheques, bem como seus endossos, não foram feitas por Ronan”, acrescentou Farias.

Cheques teriam sido forjados para aumentar dívida

“Nós estávamos trabalhando a defesa do Ronan, que me informou que não devia os valores anunciados pela investigação (de cerca de R$900 mil). Ao confrontarmos à relação dos cheques, o meu cliente lembrou que até teve conta no Bradesco, mas não na agência dos cheques do Centro de Campo Grande, constante na investigação. que nunca teve renda suficiente para ter talão de cheques”. “Há até dois cheques de Curitiba, em que Ronan alega nunca ter estado”, destaca o advogado.

“Meu cliente deve – nominalmente – cerca de R$50 mil reais. A juros de mercado, este valor talvez chegue à R$150 mil; mas devido aos juros abusivos cobrados por agiotas, essa dívida pode girar hoje em torno de R$ 240 mil”, ponderou o advogado.

“Esperamos que uma vez reconhecida a falsidade desses cheques – que eles sejam retirados da investigação do Gaeco (GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), deixando de influenciar a convicção do juiz que analisará o caso, em que meu cliente é investigado e que ele seja julgado apenas pela realidade dos fatos”, enfatizou.

No tocante às suspeitas inicialmente levantadas de que o ex-assessor do prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP), teria ajudado a financiar um esquema de compra de votos de vereadores que apoiassem à cassação do ex-prefeito Alcides Bernal (PP) para que Olarte assumisse a cadeira no Executivo municipal, o advogado lembrou que “essa tese tanto não é verdadeira que o Gaeco sequer seguiu essa linha de investigação. Nem sequer a incluiu na denúncia feita ao Tribunal de Justiça”.

Caixa 2

Lembrado de que, apesar de a denúncia do Gaeco não ter contemplado o suposto esquema de compra de votos, o recebimento de cheques sem lançamento contábil e a devida prestação de contas à Justiça Eleitoral ainda caracterizaria a prática de caixa 2, um crime eleitoral, o advogado defendeu: “A intenção do Ronan não foi formar um ‘Caixa 2’. Ele se viu em uma situação em que as pessoas o cobravam”.

Ronan Feitosa coordenava o trabalho de cabos eleitorais durante à campanha de Alcides Bernal à prefeitura de Campo Grande, com Gilmar Olarte como vice. “Ele não teve o intuito de beneficiar nem ao ex-prefeito, nem ao atual prefeito nesse processo. O que Ronan buscou foi resolver com essas pessoas (os cabos eleitorais) a pendência que existia. Acredito que o Renan não possa ser responsabilizado por isso, até porque ele não foi o prestador de contas da campanha”, disse o advogado.

Sobre a possibilidade de algum tipo de tráfico de influência, na obtenção de recursos para a campanha, o advogado alega que “Ronan não teria poder nenhum para oferecer vantagens ou favorecimento em licitações. Mesmo a testemunha que alega isso, como consta na investigação do Gaeco, receberia dinheiro para fazer essa denúncia”.

Esperamos “que os cheques sejam retirados dos autos e assim aquilo que meu cliente vem dizendo desde o princípio seja confirmado e nós cheguemos à realidade dos fatos”, finalizou o advogado.

Silvio Ferreira

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