Acusado de morte de Eliza está foragido

Eliza Samudio desapareceu em 2010 e seu corpo nunca foi encontrado (Foto: Reprodução/Globo News)
Eliza Samudio desapareceu em 2010 e seu corpo nunca foi encontrado (Foto: Reprodução/Globo News)

Após duas semanas de ter a prisão preventiva decretada, o ex-policial José Lauriano de Assis Filho já é considerado foragido, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O advogado do ex-policial, Rodrigo Geraldo Simplício da Silva, afirmou ao G1 nesta quarta-feira (22) que o seu cliente aguarda o julgamento de um habeas corpus para se entregar. Zezé, como é conhecido, é acusado de envolvimento na morte de Eliza Samúdio O goleiro Bruno Fernandes e mais cinco pessoas foram condenadas por participação no caso.

José Lauriano de Assis Filho (Foto: Reprodução / TV Globo / Fantástico)
Ex-policial José Lauriano de Assis Filho, conhecido
como Zezé. (Foto: Reprodução/TV Globo)

O criminalista afirmou que entrou com o pedido de recolhimento do mandado de prisão contra o seu cliente no TJMG. O tribunal confirmou o habeas corpus da defesa. “Ele vai para a cadeia para se manifestar sobre o que, se não tem nada nos autos? Isso é inadmissível. É um direito dele de não ser preso por uma injustiça. (…) Nada justifica sequer o recebimento da denúncia, menos ainda uma prisão preventiva”, destacou o advogado.

No último dia 3 de julho,José Lauriano e o policial da ativa Gilson Costa foram denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais por suposta ligação com o assassinato. No pedido de prisão de Zezé, a Justiça mineira alegou que a liberdade do acusado poderia atrapalhar o andamento da instrução criminal. Desde a data, a Polícia Civil informa que faz buscas com o objetivo de encontrar o suspeito.

De acordo com o advogado do ex-policial, Rodrigo da Silva, a decisão de se entregar após a manifestação da Justiça partiu de Zezé. O criminalista informou que seu cliente está em Minas Gerais e permanece “bem” e “tranquilo”. “Não esperava isso não. Por diversas vezes ficou aqui, trabalhou. Foi aposentado pela polícia. Não tem nada na ficha dele”, afirmou a defesa.

Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, no pedido de prisão de José Lauriano, o juiz Elexander Camargos Diniz, da Vara do Tribunal do Júri de Contagem, alegou que “o simples fato de se tratar de um policial civil incute temor a testemunhas e aos demais envolvidos na sequência de crimes”.

Gilson Costa (Foto: Reprodução / TV Globo / Fantástico)
Policial civil Gilson Costa, que atua em funções
administrativas. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Em relação ao policial Gilson Costa, o juiz determinou medidas cautelares diferentes da prisão. Conforme o despacho, o acusado está proibido de se aproximar e de manter contato com testemunhas, vítimas e informantes do processo.

Elexander Camargos Diniz afirmou no despacho que há prova da materialidade dos crimes e que existem indícios de autoria dos fatos apontados pelo Ministério Público.

Segundo consta na denúncia assinada pelo promotor Daniel Saliba de Freitas, Zezé poderá responder por sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho, homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, corrupção de menor majorada, corrupção de menores, além de uso de violência ou grave ameaça. Já Gilson Costa foi denunciado apenas por este último crime.

Além da prisão preventiva de Zezé, o juiz Elexander Diniz determinou também o sigilo do processo, já que a ação penal foi proposta com base em elementos colhidos a partir da quebra do sigilo bancário e telefônico dos envolvidos. Outro motivo pelo sigilo, conforme o TJMG, foi evitar o tumulto processual diante da ampla repercussão do caso na imprensa.

Denúncia
De acordo com a denúncia, no dia 4 de junho de 2010, Zezé sequestrou Eliza Samúdio e o filho dela, então com quatro meses, com a ajuda do primo de Bruno, Jorge Luiz Lisboa Rosa. Ainda segundo o MP, a ação foi acertada com o goleiro e Luiz Henrique Romão, o Macarrão.

Zezé também teria ajudado a manter Eliza e o bebê em cárcere privado até o dia 10 de junho quando a vítima foi assassinada. O denunciado ainda teria participado da morte dela ao lado do já condenado Marcos Aparecido de Souza, o Bola.

O MP sustenta que Zezé corrompeu o então adolescente Jorge Luiz Lisboa Rosa a ajudá-lo a ocultar o cadáver de Eliza.

No dia 16 de julho de 2011, Zezé e Gilson Costa teriam ameaçado a testemunha Jaílson Alves de Oliveira dentro da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Belo Horizonte. Ele havia sido companheiro de cela de Bola na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Por causa disso, Jaílson ficou sabendo de detalhes da morte de Eliza.

Ainda segundo a denúncia, com medo de também ser incriminado, Zezé pediu ajuda a Gilson. O policial teria dito a Jaílson que ele tinha três opções: mudar o depoimento, fugir ou ter a esposa assassinada. A testemunha chegou a escapar da penitenciária, sendo recapturado posteriormente, vindo a relatar a coação sofrida, de acordo com o MP.

O caso
Eliza desapareceu em 2010 e seu corpo nunca foi achado. Ela tinha 25 anos e era mãe do filho recém-nascido do goleiro Bruno, de quem foi amante. Na época, o jogador era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade.

07/03//2013 - Bruno continua a depor durante o julgamento (Foto: Renata Caldeira / TJMG)
Goleiro Bruno Fernandes durante o julgamento
(Foto: Renata Caldeira/TJMG)

Condenados
Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos e 3 meses pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio e também pelo sequestro e cárcere privado do filho, Bruninho. A pena é de 17 anos e 6 meses em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima), a outros 3 anos e 3 meses em regime aberto por sequestro e cárcere privado e ainda a mais 1 ano e 6 meses por ocultação de cadáver. A pena foi aumentada porque o goleiro foi considerado o mandante do crime, e reduzida pela confissão do jogador.

Já Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi condenado a 22 anos de prisão pela morte de Eliza Samudio e pela ocultação do cadáver da ex-amante do goleiro Bruno. A pena determinada foi de 19 anos de prisão em regime fechado pelo homicídio e mais três anos de prisão em regime aberto pela ocultação do cadáver.

Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, foi condenado a 15 anos de prisão – pena mínima por homicídio qualificado em razão de sua confissão. Conforme a sentença da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, Macarrão foi condenado a 12 anos em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima) e mais três anos em regime aberto por sequestro e cárcere privado. Ele foi absolvido da acusação de ocultação de cadáver.

Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro, foi condenada a 5 anos de prisão pelos crimes de sequestro e cárcere privado, de Eliza Samudio e de seu filho, Bruninho, condenada à pena de 2 anos e 3 anos respectivamente, ambas em regime aberto.

Elenilson da Silva e Wemerson Marques – o Coxinha – foram considerados culpados pelo sequestro e cárcere privado do filho da ex-amante do goleiro. O primeiro foi condenado a 3 anos em regime aberto e o outro, a dois anos e meio também em regime aberto.

G1

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