Acusação de covardia gera bate boca entre ministro do STJ e MPF

O Ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) usou a tribuna da Presidência da 3ª Turma na manhã desta quinta-feira (17/03) para defender o juiz federal Sérgio Moro e rebater o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em interceptação telefônica, Lula disse que o STJ e o Supremo Tribunal Federal estão “acovardados”.

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“Este tribunal não é covarde, ao contrário é corajoso por manter os grandes na cadeia”, disse Noronha. “Corajoso, parafraseando as palavras de Lula que disse que o ‘pobre vai pra cadeia, o rico vira ministro’… lutando para que o rico criminoso não se torne ministro dessa república.”

Ao fim dessa frase, Noronha recebeu aplausos da plateia.

Ouça o áudio:

 O subprocurador-geral da República João Pedro de Saboia Bandeira pediu a palavra e criticou Noronha:
“Com todo apreço que tenho ao sr. presidente, é meu entendimento que a Lei Orgânica da Magistratura não permite que o magistrado use sua cadeira para fazer pronunciamento (…) político partidário como os que acabamos de assistir”, afirmou. “Rui Barbosa disse ‘quando a política entra nos tribunais, a justiça bate as asas e vai embora’.”

Noronha tentou argumentar, mas Bandeira elevou a voz: “estou falando sr. presidente, respeite minha palavra.”

Completou: “Se ela vai embora não tenho o que fazer aqui e me retiro em sinal de protesto. Porque zelo pela lei, não sou de direita, não sou golpista. Vou-me embora e boa sessão para vossa excelência.”

Em gravação divulgada ontem pelo juiz Sergio Moro, Lula aparece dizendo:

“Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada. Nós temos um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado. Um Parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos é que o PT e o PCdoB começaram acordar e começaram a brigar. Nós temos um presidente da Câmara fudido, nós temos um presidente do Senado fodido, não sei quantos parlamentares ameaçados. E fica todo mundo no compaço que vai acontecer um milagre e vai todo mundo se salvar. Eu sinceramente estou assustado com a República de Curitiba. A partir de um juiz de primeira instância, tudo pode acontecer neste país.”

Defesa do Superior Tribunal de Justiça

Noronha saiu em defesa do STJ dizendo que, mesmos sendo nomeados por presidentes, os ministros não devem “nenhum favor” aos governantes. Aproveitando para criticar o ex-presidente Lula, o presidente da 3ª Turma afirmou que “esta casa não é uma casa de covardes, é uma casa de juízes íntegros, que não recebem doações de empreiteiras”.
“Não vamos nos intimidar, não vamos baixar a cabeça, porque o Superior Tribunal de Justiça é uma casa de homens probos, íntegros, que não há de se prostituir”, completou.
Noronha também criticou a “liderança do Judiciário brasileiro” por não ter saído em defesa da Justiça frente aos últimos acontecimentos. Foram proferidas críticas à direção do STJ, por não ter divulgado uma nota sobre o assunto, e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, nas palavras do ministro, “uma palavra até agora não deu” em defesa do Judiciário.
Sobrou até para o Conselho da Justiça Federal, que, para Noronha, deveria se posicionar. “É uma crise de liderança que permite esse tipo de ataque”, disse. 
No rol dos elogios, não faltaram menções ao juiz Sérgio Moro, responsável pelo julgamento dos casos relacionados à Lava Jato em primeiro grau. Para Noronha, “o Brasil precisa de muitos Moros”,

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