Acidentes de trabalho diminuem, mas mortes aumentam em MS

O número de acidentes de trabalho caiu 5,6% em Mato Grosso do Sul. Em 2014, o Ministério do Trabalho e Previdência Social registrou 10.840 acidentes no Estado, contra 11.495 no ano anterior. Apesar da redução, os acidentes ficaram mais graves se analisada a quantidade de mortes. Em 2014, foram 64 óbitos, um aumento de 28% se comparado a 2013 (50 mortes) e de 64% em relação a 2012, quando foram registradas 39 mortes de trabalhadores sul-mato-grossenses.

Desembargador avalia que empresas deveriam oferecer mais segurança
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Para lembrar as vidas que foram perdidas pelos acidentes de trabalho, esta quinta-feira, 28 de abril, marca o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. A data também foi definida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2003, como o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, em memória às vítimas de acidentes e doenças laborais. Neste mesmo dia, em 1969, uma explosão numa mina no estado norte-americano da Virginia matou 78 mineiros. Por isso, hoje são celebrados eventos no mundo todo para a conscientização dos trabalhadores e empregadores quantos aos riscos de acidentes no trabalho.

A cada dez processos que dão entrada na Justiça do Trabalho de Mato Grosso do Sul, um é relacionado a acidente de trabalho. Em 2015, o Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso do Sul recebeu 3.601 novos processos envolvendo acidentes de trabalho, o que representa um aumento de 10% em relação a 2014, quando 3.268 processos relacionados a acidentes de trabalho deram entrada no TRT/MS.

O desembargador Sebastião Geraldo de Oliveira, gestor nacional do Programa de Prevenção de Acidentes de Trabalho da Justiça do Trabalho, alerta que a maioria dos acidentes ocorre por culpa patronal, “pelo descaso de alguns empregadores com a segurança e saúde dos seus trabalhadores”.

Entre as reflexões propostas pela data oficial do calendário brasileiro, o gestor nacional do Programa Trabalho Seguro afirma que o mecanismo mais eficiente para a redução de acidentes é o investimento sistemático em medidas de segurança e saúde dos trabalhadores e na propagação de uma cultura prevencionista no ambiente de trabalho, com respaldo dos altos dirigentes do empreendimento. “O conhecimento já acumulado indica que a grande maioria dos acidentes do trabalho e das doenças ocupacionais são previsíveis e, por mera consequência, são também preveníveis”, afirma. “O trabalho seguro e saudável, além de prevenir acidentes e doenças ocupacionais, estimula a produtividade, mantém o empregado motivado, reduz os custos trabalhistas e cria um círculo virtuoso em benefícios de todos”.

Panorama nacional

No Brasil também houve redução da quantidade de acidentes, mas num percentual menor, de 3%. Foram registrados 704,1 mil acidentes, sendo 2.783 mil óbitos e 251,5 mil afastamentos por mais de 15 dias. Os dados são os mais recentes divulgados pelo governo federal. A partir de dados da Cnae (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) as profissões da área de serviço lideram as ocorrências de acidentes de trabalho, com mais de 363,8 mil casos, e maior incidência no setor de comércio e reparação de veículos automotores (mais de 100,4 mil incidentes). A indústria vem logo após com 295,7 mil, sendo o ramo da construção com 59,7 mil.

Outra característica que se destaca na análise de dados sobre acidentes no Brasil é a predominância de homens jovens nas ocorrências. Do total de 704,1 mil acidentes e doenças do trabalho comunicados ao MTPS em 2014, 68% dos acidentados são homens (478,9 mil), a maior parte na faixa etária de 25 a 29 anos (80,5 mil). Neste mesmo período, 225,2 mil trabalhadoras foram vítimas de acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho, ou, 32% do total, a maioria mulheres com idade entre 30 e 34 anos.

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