23-09 – NÃO INVENTA, A VIDA É SÓ ISSO.

 

Pedro1

É possível que você acredite que a vida humana tenha desdobramentos depois da morte física e, o seu espírito, ou o que sobra dele, fique vagando por ai cumprindo outras finalidades. Como ando de saco cheio de hipóteses, essa perspectiva só serve para enchê-lo ainda mais. Já usei minha vida atual em tudo que foi permitido – e o que não foi – me diverti, sofri, passei bons e maus momentos, o que foi suficiente para não querer acrescentar nenhuma hora extra. Usei minha vida o melhor que pude. E ficou de bom tamanho o que vivi até aqui. Amanhã não posso garantir.

Como ateu sem-vergonha e salafrário, como me taxam alguns, o sujeito que acredita somente nas coisas que existem, até prova em contrário, me soa crível a possibilidade de que seres humanos e demais animais carreguem dentro do corpo uma energia fluídica absolutamente física, a qual se desprende do corpo após nossa morte. Me parece razoável que esses fluídos fiquem pairando no entorno um tempinho até se diluírem por completo. Essa possibilidade apresenta uma lógica física e natural, sem nenhum compromisso espiritual, teológico e outros quesitos imaginativos. Mas, só. Sei que os crentes das mais variadas vertentes irão cair de pau em cima de mim, mas, porra, eu tenho direito de concluir meus próprios raciocínios. Com o mesmo direito dos que acreditam  em   ansiedades furadas, mesmo sem provas. Democracia espiritual minha gente, é um novo sistema que rege as opiniões humanas e que acabei de inventar agora. Ou, não.

Imaginar que exista outra vida após a morte me desperta uma preguiça incontrolável. Repetir tudo de novo, filas, trânsito, desafios do crescimento, discursos políticos, chuvas, bosta de vaca e tudo o mais me deixa irritado. A ideia de reencarnação, por exemplo,  soa – pra mim – como um imenso frigorífico celestial onde selecionam o tipo de almas ajustáveis a corpinhos de vários tamanhos. Tá certo, eu brinco com coisas que muita gente leva a sério, mas eu acredito na minha descrença, é assim que eu sou, pois não tenho coragem de engolir certas gororobas. E declaro que estou aberto à convincentes versões concretas. Desafio quem quer que seja, a trazer provas cabais de que sou um idiota. Se me convencer usarei este espaço, ou até outro maior,  para admitir minha imbecilidade. Não me refiro a provas baseadas em convicções pessoais e sim atestados lógicos e coerentes. Enquanto isso prefiro a versão da cegonha, de traços delicados e simpáticos trazendo bebês nas  fraldas, carregados em seus enormes bicos.

É gratificante viajar na maionese e embarcar nesse trem imaginário que nos distancia da realidade.. Faço isso, também, mas mantenho um dos pés meio atolado no mundo real. Fantasia é um presente que me dou, consciente de que estou sendo corrompido por mim mesmo. Isso dura bons instantes. Depois eu volto e escrevo isso que você lê e deve  achar uma grande bobagem.

Não fiquem zangados comigo, leitor e leitora, por divergências de crenças. Se eu estiver errado nos pontos de vista que exponho, terei que pagar por isso lá na alfândega do céu ou inferno, mais à frente. Só de imaginar em voltar fantasiado, em outra vida, na pele de algum personagem, sinto vontade automática de procurar uma poltrona e ficar chorando por ali. Mas sem saber onde meu destino irá atrelar seu cabresto, prefiro continuar sentado aqui no meu lugar, em cima do muro, esperando a morte devolver meu anonimato.

Se deus existe, ele com certeza não acredita em mim. Você acreditaria?

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