10-06 – INVENÇÕES E INVENCIONICES

Pedro

Pedro Mattar

Quero deixar minha contribuição à cultura esclarecendo a origem de algumas invenções que fazem parte do cotidiano. É a minha forma de fingir utilidade e parecer que faço alguma coisa que preste.

Fico imaginando como era a vida antes de ser inventado o relógio. No mínimo os carinhas daquele tempo tinham desculpa pra não chegar todo dia pontualmente em casa. Deviam calcular as horas de um jeito biológico. Ao sentir fome era hora do almoço. Quando apertava a dor de barriga eles sabiam que era a hora de ir pro buraco furado no chão. Ou na casinha do quintal. Quem determinava a hora era o corpo e a cabeça.

Lí no google que o primeiro relógio mecânico, é atribuido ao monge francês Gerbert , ano 850 da era atual. Mas rolam controvérsias. Tem uma corrente que atribui esse mérito ao Papa Silvestre II, no mesmo ano. Aqui entre nós, Papa criando relógio me parece um pouco muito, mas naquele período eles deitavam e rolavam. Mais tarde aparecem Ricardo de Walinfard (1344), Santiago de Dondis (1344) e o seu filho João de Dondis, que ficou conhecido como Horologius. Cada um deles contribuiu para a evolução desse instrumento. Já o primeiro relógio de bolso foi montado em Nuremberg, por Pedro Henlein. Eu não vi, mas é o que diz meu assistente informático. Só em 1595 Galileu Galilei descobriu a Lei do Pêndulo, o que ajudou nas novas versões de relógios de lá pra cá. E para o nosso Santos Dumont sobrou inventar o uso do relógio de pulso.

Embora organize nosso cotidiano, o relógio acabou sendo um instrumento condicionante da atitude humana. Há uma escravidão que a maquininha impõe ao homem e a hora certa passou a determinar o comportamento humano, não há como fugir disso. Todo relógio é uma ditadura de pulso, porque ele programa a nossa vida e não nos deixa esquecer dos compromissos. Nos lembra a hora de dormir e o momento de acordar.

Já o chapéu nasceu como solução protetora. Nossa cabeça é o quartel general que comanda o resto do corpo, é melhor protegê-la do que puder afetá-la. O sol, as pancadas e as poeiras significam riscos. Dentro dessa lógica, o chapéu surgiu como um protetor natural. Na sua esteira vieram os capacetes e demais versões que rolam por ai. Registros antigos ( ano 4.000 a.c.) comprovam a existência e uso regular de proteções para a cabeça no Egito, Grécia e Babilónia. A tal bandana que se vê nos chapéus atuais, não passa de reminiscência daquelas faixas ancestrais. Mais adiante, os nobres, para evidenciar status, inventaram os turbantes, as tiaras e as coroas em variadas alternativas.

A cueca e a calcinha podem ser consideradas mais contemporâneas. Inventados para cobrir e proteger os órgãos sexuais (costura especialmente modelada para fornecer acomodação e apoio), vêm misturando as bolas, atualmente. Em alguns casos, a cueca passou a ser chamada de sunga. Foram as diferenças anatômicas que determinaram a moda masculina e a feminina como são hoje (Antes os acessórios masculinos ficavam livres). Nas mulheres a roupa íntima deu mais ênfase à sexualidade do que à acomodação. No caso masculino foi dada prioridade ao lado funcional. Tanto a cueca como a calcinha passaram a ser os últimos recursos de dignidade que sobram quando, em assaltos, os ladrões exigem que todos fiquem nus.

Com o google à disposição eu fico insuportável.

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