09-09 – MIXÓRDIA SEM NEXO

Pedro1Pedro Mattar

Como sou limitado e tenho dificuldades em convencer – só consigo confundir – acabo inventando coisas. Por pertencer ao grupo de sujeitos que passam pela vida sem assinar a lista de presença, continuo achando que a minha existência não preenche espaço útil.

Imagino que o consumidor de leitura, você, compre jornais para se distrair e receber informações mínimas. Tem a curiosidade de conhecer novos ângulos de situações que se repetem. Sem nenhuma certeza, é neste último caso que coloco minha pretensão de escrever esta coluna. Penso haver milhares de individuos como eu, que envelheceram e acham que descobriram um viés diferente de enxergar as coisas.

Somos fulanos que garimpam vários assuntos e precisam mostrar seus pontos de vista. No fundo é vaidade pura que se mistura à ilusão de que o ineditismo existe. No íntimo, seja lá onde fica isso, enxergo essa postura como oportunismo. Meu objetivo de continuar a escrever, sabendo dos riscos, é porque sou inconsequente. Não leve para o lado pessoal, eu nem o(a) conheço, mas é esse o meu jeito de ser – ou parecer – honesto.

Ou você desiste de me ler agora ou assume o risco de chegar lá na frente e concluir que o seu tempo merecia mais respeito. Não há nada que eu possa oferecer como garantia previa. O fato de querer ser sincero não quer dizer que eu esteja sendo sincero. E o editor deste jornal, ao ler isto poderá estar me eliminando neste exato trecho.

Teimoso, vou em frente com meu descompromisso. Claro, sem saber se você decidiu parar de ler ali atrás. Tem também a possibilidade de ter sido eliminado pelo editor. Existe a enorme possibilidade de estar escrevendo para mim mesmo, mas decidi não me preocupar com esse detalhe. Embora seja responsável por tudo o que escrevo, não posso assumir culpa pelo que você deduz sobre o que escrevi. Sempre fui meu escritor preferido e nem quero me decepcionar no caso de ser também meu único e solitário leitor.

Ao nascer sem pés e cabeça, esse texto define o seu contexto..Minhas histórias sempre serão muito curtas porque, do contrário, enquanto estiver escrevendo o final, existe o sério risco de já ter esquecido o começo. É a única vantagem que posso antecipar.

Pensar gera uma lucidez que afia a sensibilidade e torna impossível ser feliz. Felicidade existe mais como conjectura do que como fato. Ela sobrevive da esperança que sentimos de um dia alcança-la.

Por meio do meu binóculo de enxergar detalhes desnecessários, venho testemunhando estranhezas. E são elas que alimentam meu mundo real, sob forma imaginária.

Tem uma coisa na qual sou bom, encher o seu saco (republicado).

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